segunda-feira, 27 de junho de 2011

Sociedade

Venho pensando muito sobre a sociedade, não especificamente sobre a nossa sociedade, mas sobre sociedade em si. A idéia da palavra, as sociedades utópicas, as fictícias, toda elas. Acho que faço isso desde sempre, sempre achei a idéia da observação mais atraente sobre muitos aspectos do que a idéia da atuação.

"Em Sociologia, uma sociedade é o conjunto de pessoas que compartilham propósitos, gostos, preocupações e costumes, e que interagem entre si constituindo uma comunidade. A sociedade é objeto de estudo comum entre as ciências sociais, especialmente a Sociologia, a História, a Antropologia e a Geografia."
Wikipedia

Levando em conta essa definição de sociedade chegamos a conclusão de que não vivemos em uma única sociedade, mas sim em várias sociedades dentro de um único grande bloco cujo princípio básico é viver, pois afinal de contas quais são as pessoas que vocês conhecem que compartilham de fato os mesmos propósitos, gostos, costumes... essas pessoas não existem, ou melhor, elas existem, mas em pequenos núcleos, pequenas sociedades.

Pensando em tudo isso acabei recorrendo novamente a literatura. A Orwell, a Huxley, a Balzac, a Condle e alguns outros. Grandes autores, outros nem tanto, com um mesmo assunto: a sociedade. No caso de Orwell, com 1984 e de Huxley com Admirável Mundo Novo esse assunto foi a criação de uma nova sociedade ainda que em partes parecida com a nossa, mas com uma quantidade muito maior de controle.

Diversas vezes já me peguei pensando em como Orwell conseguiu "prever" essa observação do governo da vida privada. Câmeras de vídeo instaladas dentro de salas de  aula, nas ruas e cruzamentos,  todas sobre o pretexto da segurança, segurança essa que deveria ser garantida pelo governo e que portanto não deveria necessitar de fiscalização em tempo integral, mas essa é só minha opinião.

Balzac analisou a sociedade francesa, sociedade essa que ditou grandes dos padrões atuais, mas desses autores que mencionei a menos conhecida é Ally Condle, autora de um livro chamado Destino, livro esse que comecei a ler por puro entretenimento e acabei me deparando com uma nova sociedade. Uma sociedade na qual as pessoas tem históricos mantidos pelo governo, governo esse que escolhe pessoas com as quais são mais compatíveis e terão maior probabilidade de ter bons filhos, ou seja filhos saudáveis em todos os sentidos possíveis. 

O que de fato achei mais interessante nessa sociedade foi a manipulação da escrita, as pessoas dessa sociedade sabem ler e escrever, mas não como nós, elas não tem o dom das palavras, elas as conhecem e sabem seus significados, mas apenas algumas delas, elas as agrupam para formar frases já conhecidas. Assim como na sociedade de Orwell na qual a junção das palavras (a novilingua) deveria controlar o pensamento ruim (o duplipensar, o pensar contra o governo), a falta da escrita exerce essa mesma função. No livro acontece também uma seleção das cem histórias, dos cem poemas, das cem músicas, todas escolhidas pelo governo como as únicas coisas que mereciam ser mantidas e propositalmente aquelas nas quais as pessoas melhor se comportam sobre o ponto de vista do governo.

Por último, mas não definitivamente menos importante temos a sociedade de Huxley. Uma sociedade de castas, na qual todos são condicionados a crer em várias coisas, entre elas a principal delas é o condicionamento a crer na plena e continua felicidade, felicidade essa que quando minimamente perturbada é controlada através da ingestão de Soma (uma espécie de droga).

To be continued...

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Too many things

Aquele momento em que você quer falar sobre muitas coisas, tantas coisas que não sabe por onde começar. E como resultado desse amontoado de coisas acaba nem começando, colocando nem a primeira letra maiúscula, nem as vírgulas e muitos menos os tão aguardados pontos finais. Aqueles que depois de muito discutidos, se transformam em conclusões, se transformando posteriormente em novas teses para se pensar sobre, novos assuntos para querer se comentar e novas primeiras letras, de primeiros parágrafos, de primeiras frases que tem como principal objetivo registrar os novos pensamentos, vivências e principalmente experiências.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Prazeres e "desprazeres"

Faz muito, muito tempo desde que eu escrevi aqui pela última vez. Tanto tempo que nem me lembro mais sobre o que escrevia ou a maneira pela qual me expressava.

Algum tempo atrás cheguei a conclusão de que era possível viver baseada somente em prazeres intelectuais. Que eles me satisfariam completamente e que não me decepcionariam. Eu me enganei, me enganei de uma forma tão, mas tão grande que resolvi registrá-la aqui: um lugar que há muito não me recordava, ou que quando recordava não era com grandes alegrias e sim com algum pesar por nunca ter conseguido fazer dele o que gostaria que fosse.

Falhar machuca, errar machuca, acertar pode machucar, tudo machuca. Todos esses machucados e cicatrizes definem nosso caráter e vão nos transformando e moldando, definindo quem nós somos e como nos comportamos. 

O meu último machucado foi um "desprazer" intelectual. Acreditava saber a matéria e quando fui questionada sobre ela em um momento de maior tensão não soube, errei, falhei. Estou falando sobre vestibular. Aquela maldita prova para a qual você passa a sua vida estudando, a prova que diz avaliar seu conhecimento, mas que em grande parte só avalia a sua memorização e a sua capacidade de pensar sobre stress. 

Machucou mais do que eu esperava e me pôs a pensar que os prazeres físicos são necessários. E muito necessários, sem eles nosso corpo não produz as substâncias necessárias para que todos os outros prazeres sejam possíveis, entre eles o intelectual; E afinal de contas "desprazeres" físicos são machucados reais e não figurados. Eles saram, são superados, o que deixam é uma marca e recordação de algo a não se repetir para que o mesmo erro não seja cometido novamente. Afinal de contas nossa memória é muito maior que a de nosso coração que por vezes insiste em cometer os mesmo erros repetidamente, sem nunca entender que existem coisas pelas quais não vale a pena lutar.